domingo, 18 de Outubro de 2009

Professores não estão preparados para o 'bullying'


Metade dos alunos das escolas são autores ou vítimas de agressões escolares. O fenómeno será debatido hoje (Sábado) no congresso nacional de bullying, onde será apresentado um documentário. Especialistas garantem que docentes não têm formação para lidar com o problema.


Quase metade dos alunos das escolas portuguesas estão envolvidos em práticas de bullying, seja como agressores ou como vítimas. Mas os peritos alertam para a falta de preparação das escolas para lidar com o fenómeno. Estas questões vão ser debatidas, hoje, no Congresso sobre Violência Escolar e Bullying, no Centro Cultural de Moscavide, em Lisboa. onde será apresentado um documentário com casos de cinco jovens.

Uma das oradoras do congresso é Sónia Seixas, professora universitária, que realizou um estudo sobre violência escolar em cinco estabelecimentos públicos do 3º ciclo, na Grande Lisboa, tendo concluído que 42,2% dos alunos são agressores ou vítimas de bullying. "Os professores não estão preparados para lidar com o problema. Resolvem as situações pelo bom senso, mas sentem falta de formação", avisa Sónia Seixas, explicando que percebeu a ausência de preparação nas visitas que faz aos vários estabelecimentos de ensino para falar de fenómeno. "O bullying é um comportamento agressivo, intencional e repetido, que acontece na escola para causar dano" explica a professora, acrescentando que no seu estudo verificou que 17,9% são agressores, 17,2% vítimas e 7,1% alternam entre os dois papéis. E, diz, a maioria dos episódio acontece nos locais privilegiados do aluno: no recreio, nos corredores, nos balneário ou nas casas de banho .

Por isso, além dos professores, também as auxiliares de acção educativa, responsáveis pela vigilância destes espaços, têm de lidar com os casos de bullying. "Mas os auxiliares de educação são poucos, e grande parte deles tem apenas o nono ano, sem formação para lidarem com conflitos" alerta, por seu vez Graça Tavares, formadora na área das relações interpessoais que estará também amanha presente no congresso.

Opinião semelhante tem Fernanda Asseiceira, ex-deputada que coordenou a elaboração de dois relatórios sobre violência escolar na Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República e, tendo sido professora, conhece bem a realidade das escolas. "A violência escolar é uma área descurada. E os professores não têm formação para lidar com ela ", garante.

Já Mário Cordeiro, pediatra, considera que as escolas não apenas não sabem como lidar com os conflitos, como ignoram a dimensão do problema. "As escolas são tolerantes demais com o bullying", diz o médico, defendendo: "Tem de haver tolerância zero". As situações de violência escolar tendem a ser resolvidas com a mudança de escola da vítima de bullying ou com a suspensão do agressor. Mas, a opinião generalizada entre os especialistas, é que estas opções não são solução.

"A escola falha quando uma criança é obrigada a mudar" defende Fernanda Asseiceira, acrescentando que os alunos têm de ser acompanhados para que não fiquem traumatizados.

O trauma revela-se em sintomas psicosomáticos (dores de cabeça, insónias, vómitos), psicológicos (tristeza, desamparo ou até pensamentos suicidas) e nos resultados escolares (desmotivação, insegurança e notas baixas).

Se a solução usada na maioria das vezes com as vitimas de bullying está errada, o mesmo se pode dizer com as sanções aplicadas aos agressores. "Não se pode optar pela suspensão, porque é um reforço do estatuto social do agressor", explica Sónia Seixas.

Para os especialistas, não há receitas mágicas, mas é preciso apostar na prevenção. E, apesar do bullying ter o seu pico quando os alunos entram na adolescência, aos 13 anos, as práticas agressivas começam cada vez mais cedo, logo no jardim-de-infância. É preciso ensinar as crianças a resolver os problemas através da mediação. Para além disso, é preciso trabalhar a auto-estima, para aprenderem a ser assertivos. "Temos de ensinar as crianças que, em vez de chorarem, devem reclamar que o colega tirou o brinquedo" explica Graça Tavares.
In Diário de Notícias, por Catarina Guerreiro

O Projecto ProCiv regressou...

O Projecto ProCiv - Projecto de Prevenção e Acompanhamento de Atitudes e Comportamentos está de volta neste início de ano lectivo (ver Notícias)

Esteja atento(a) às novidades para o ano escolar de 2009/2010!

A Equipa do ProCiv

Bullying: saiba como evitar


Vinte e cinco por cento dos alunos portugueses estão envolvidos no fenómeno de bullying, uma palavra que serve para designar violência praticada por crianças e jovens, uns sobre os outros, normalmente na escola.

Para ajudar a identificar este problema e encontrar soluções, realizou-se este sábado em Loures um seminário onde foram indicados caminhos para evitar que haja cada vez mais vítimas e agressores: identificar os casos, agir e principalmente abandonar a ideia de que é normal que as crianças sejam cruéis. Ninguém cresce de uma forma saudável quando abusa ou é abusado de forma contínua.

Os especialistas referem que, como este é um fenómeno que acontece em grande parte na escola, cabe aos estabelecimentos de ensino tomar medidas preventivas. Coisas simples que podem fazer toda a diferença.
O problema pode começar bem cedo, logo no jardim-de-infância. O diálogo entre pais e filhos que fomente a auto-estima das crianças e adolescentes é meio caminho andado para evitar o bullying.

terça-feira, 21 de Julho de 2009

Férias 2009


A equipa do ProCiv vai (finalmente) de férias durante o mês de Agosto... Logo que regressarmos em Setembro, publicaremos o relatório relativo ao ano lectivo de 2008/2009.

A todos os nossos seguidores, desejamos umas óptimas férias!!!

segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Indisciplina nas escolas prejudica aulas

O Inquérito TALIS (Inquérito Internacional sobre ensino e aprendizagem) levado a cabo pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), com o apoio da Comissão Europeia, em escolas de 23 países diferentes, dá conta que três em cada cinco escolas alegam que o mau comportamento dos alunos prejudica o desenrolar da aula.

O TALIS apresenta pela primeira vez dados comparáveis à escala internacional sobre as condições de trabalho dos professores nas escolas de 23 países diferentes, incluindo Portugal.
Assim sendo, deste inquérito foram retiradas as conclusões que fazem parte do relatório intitulado "Criar ambientes de ensino e aprendizagem eficazes". Deste relatório verificamos que a maioria dos professores inquiridos afirmam que o mau comportamento dos alunos prejudica o desenrolar das aulas.

Deste modo, segundo os dados apurados pelo inquérito, constata-se que em média os professores passam 13% do tempo de aula a manter a ordem.
Na Estónia, Itália, República Eslovaca e na Espanha, mais de 70% de professores do 3º ciclo do ensino básico trabalham em escolas em que se refere que as perturbações na aula prejudicam o processo de ensino "em certa medida" ou "bastante".

Também se verifica que para além das perturbações na sala de aula, outros factores que prejudicam o ensino incluem o absentismo dos alunos (46%), a sua chegada tardia à aula (39%), o uso de linguagem vulgar e blasfema (37%) e a intimação ou ofensas verbais contra outros estudantes (35%).

Segundo o relatório, o inquérito "indica de um modo geral que os planificadores da educação poderiam fazer mais para apoiar os professores e melhorar o desempenho dos estudantes, se o público e os decisores políticos olhassem menos para o controlo dos recursos e dos conteúdos educativos e mais para os resultados da aprendizagem". De acordo com Sá Couto, professor de Filosofia em Ponta Delgada, estes dados revelam que "o ensino básico tem horas lectivas a mais. Pois, as crianças que entram às 8h30 e saem às 17h30 não conseguem ter uma atenção sistemática durante tantas horas". Desta forma, na sua opinião, "a indisciplina nas escolas surge devido ao excesso de permanência em aula ou em espírito de aula".

Relativamente à indisciplina nas salas de aula dos Açores, Sá Couto refere que este estudo reflecte o que se passa nas escolas açorianas, quer a nível da motivação dos professores, quer a nível da indisciplina e valores. Contudo, "nós como micro-sociedade que somos ainda conseguimos manter a disciplina na sala de aula", acrescenta o professor.

"Penso que a situação de indisciplina na Europa se vai inverter. Mas para isso, é necessário haver ordem e autoridade sem recorrer ao poder. Nós, professores, devemos usar o poder da palavra e não necessitar da palavra do poder", concluiu.

Por Rita Sousa / Rui Jorge Cabral in http://www.acorianooriental.pt/noticias/view/186951

quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Concorreram 3286 - 1337 docentes para as escolas problemáticas

O primeiro concurso de colocação de professores organizado pelas escolas prioritárias conduziu à ocupação de 1337 das 1509 vagas disponibilizadas. Segundo os dados do Ministério da Educação, candidataram-se 3286 docentes aos lugares.
As escolas em territórios educativos de intervenção prioritária podem contratar professores directamente, definindo os perfis necessários, para “enfrentar as dificuldades existentes”, de modo a melhorar os resultados escolares e diminuir a violência, indisciplina e absentismo dos alunos.

Indisciplina ‘rouba’ 16 por cento da aula


Os professores portugueses são os segundos da Europa que mais tempo passam a impor disciplina na sala de aula. De acordo com os dados do Inquérito Internacional de Ensino e Aprendizagem, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em Portugal perde-se 16,1 por cento da aula a manter a ordem, o que corresponde a cerca de 15 minutos em cada bloco de 90 minutos de aula. Brasil (17,8%), Malásia (17,1) e Islândia (16,7) são os países nos quais esse valor é superior ao de Portugal. A média da OCDE é de 12,9 por cento.
Se se juntar as tarefas administrativas (8,2%), um professor português passa 24,3 por cento do tempo de aula sem estar, efectivamente, a ensinar. O mau comportamento (69,1%) e o absentismo (50,8%) dos alunos são os factores que os docentes portugueses mais associam ao insucesso escolar, valores acima da média dos países da OCDE, respectivamente, 60,2% e 45,8%. No lado oposto, está o ‘copianço’: 11,2 por cento dos professores portugueses consideram estar associado ao insucesso, enquanto a média da OCDE é de 20,9.

Maria José Viseu, da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, diz que a necessidade de os professores imporem a ordem pode estar relacionada com a falta de concentração dos alunos. "As crianças e adolescentes não conseguem estar concentrados numa tarefa mais do que um determinado tempo. Os pais são responsáveis, mas não são os únicos. Há turmas com 40 alunos e os currículos das disciplinas não estão adaptados às motivações deles."

"MINISTÉRIO COM MEDIDAS CERTAS"

O Ministério da Educação considerou o diagnóstico feito pela OCDE semelhante ao por si realizado, que levou à implementação de um processo de avaliação dos professores. Valter Lemos, secretário de Estado da Educação, comentou ontem o documento, afirmando que as políticas do Governo estão no bom caminho: "Os dados do relatório da OCDE mostram que Portugal é um dos países onde o maior número de professores afirma não ter apreciação do seu trabalho para incentivo em termos de carreira. São diagnósticos que confirmam que as medidas tomadas pelo Ministério da Educação nestas áreas parecem estar na direcção certa."

Em relação à indisciplina, o secretário de Estado diz que "Portugal não está fora daquilo que é o normal na maior parte dos países", reconhecendo que "todos os países têm um nível de indisciplina bastante elevado e Portugal não é excepção".


OCDE DIZ QUE PORTUGAL É CASO PREOCUPANTE

A OCDE considera Portugal um caso "preocupante" para as "carreiras e vidas profissionais dos professores", devido à falta de um sistema de avaliação de desempenho dos docentes, aconselhando os países que não dispõem de sistemas de avaliação formalizados e generalizados a nível nacional a introduzi-los rapidamente.

A conclusão faz parte do relatório Inquérito Internacional de Ensino e Aprendizagem, que fez um estudo comparativo das condições de trabalho e do ambiente de ensino e aprendizagem em escolas de 23 países de todo o Mundo e que decorreu entre Março e Maio de 2003 e Março e Maio de 2008. Em cada país, foram seleccionadas para participar no estudo 200 escolas públicas e privadas com 3º Ciclo do Ensino Básico.




Um quarto das garotas que usam a internet já sofreram bullying, diz estudo

É impossível proteger os filhos de todos os tipos de violência que a internet pode oferecer. Uma pesquisa inglesa feita pelo site Girlguiding UK revelou que mais de um quarto das garotas que utilizam a grande rede já sofreram algum tipo de agressão ao navegarem pela rede.

Segundo o site da BCC , o estudo teve como base entrevistas com mil mulheres adolescentes entre 10 e 18 anos e constatou que 28% delas já sofreram bullying por email, mensageiro eletrônico ou pela internet, normalmente infligido por outra mulher, na maioria das vezes também jovem. Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo incapaz de se defender.

“Como a maior organização de proteção à mulher do Reino Unido, vemos que é nossa responsabilidade dar a essas moças a sabedoria e a auto-confiança para lidar com esses problemas que as preocupam”, declara Denise King, chefe executiva da Girlguiding UK em nota publicada no site InfoWorld .

King afirma que houve um aumento substancial do bullying e dos novos métodos utilizados pelos agressores e, justamente por isso, ressalta o quão sério é o problema. “Entretanto, também queremos salientar às meninas as habilidades de ser uma boa amiga. Isso é importante não apenas quando se é jovem, mas durante toda a vida”, diz. Por isso, além da pesquisa, o site Girlguiding UK lançou também um guia para que garotas e jovens saibam lidar com esse problema, noticiou o site Tech Radar .

As dicas básicas incluem não informar nenhum dado pessoal como endereço e telefone na internet; não responder a emails e mensagens com teor estranho e sempre mostrar qualquer coisa aos adultos; criar senhas seguras para os cadastros e contas de email e, obviamente, denunciar sempre que possível o cyber bullying.